ABCDMXYZ chegou em São Paulo
ABCDMXYZ – Territórios Latinos: Diálogos entre Cidade do México e São Paulo
Data: 5 de maio, 19h Local: IAB-SP, Vila Buarque, SP Participantes: Laura Janka, Sol Camacho, Paulina Achurra e Eugênio Queiroga
Mediação: Leandro Fontana
O encontro “Territórios Latinos: Diálogos entre Cidade do México e São Paulo” reuniu pesquisadores, arquitetos, urbanistas, estudantes e interessados nas dinâmicas urbanas latino-americanas para uma conversa aberta sobre os desafios contemporâneos das grandes metrópoles da região.
Tomando como ponto de partida a apresentação do livro ABCDMXYZ – Dicionário Urbano da Cidade do México, de Laura Janka, a mesa propôs um exercício de aproximação crítica entre Cidade do México e São Paulo, entendidas não apenas como grandes aglomerações urbanas, mas como territórios complexos, contraditórios e profundamente marcados por desigualdades socioespaciais, disputas simbólicas e múltiplas formas de produção da cidade.
Mais do que uma apresentação editorial, o evento constituiu um espaço de intercâmbio interdisciplinar, permitindo conectar experiências, linguagens e perspectivas distintas sobre o urbano. A conversa buscou apresentar a Cidade do México como lugar de transformação, compartilhar o diconário como ferramenta de diálogo e enfatizar tanto os problemas compartilhados entre as metrópoles latinas quanto as potências existentes em suas práticas sociais, culturais, espaciais e comunitárias.
Sobre o livro ABCDMXYZ
Durante sua fala, Laura Janka apresentou o processo de construção do livro ABCDMXYZ – Dicionário Urbano da Cidade do México, um projeto editorial coletivo e crítico que propõe pensar a cidade por meio de verbetes, conceitos, narrativas e múltiplas vozes.
O livro parte da ideia de que as cidades não podem ser compreendidas exclusivamente a partir de definições técnicas ou institucionais. Ao contrário, o projeto busca construir um vocabulário urbano plural, capaz de incorporar experiências cotidianas, afetivas, políticas e territoriais.
Foram destacados aspectos centrais da publicação:
a construção coletiva do conteúdo;
a diversidade de vozes participantes;
a articulação entre linguagem, território e imaginário urbano;
a valorização de perspectivas latino-americanas;
a relação entre conhecimento acadêmico, prática urbana e experiência cotidiana.
A apresentação também enfatizou o caráter experimental e aberto do dicionário, entendido não como uma obra definitiva, mas como uma plataforma de diálogo e reflexão contínua sobre a Cidade do México e, por extensão, sobre outras cidades latino-americanas.
A conversa foi marcada por diferentes perspectivas sobre as cidades latino-americanas e pela possibilidade de aproximar experiências entre Cidade do México e São Paulo.
Durante sua participação, Sol Camacho destacou a importância do livro ABCDMXYZ – Dicionário Urbano da Cidade do México como uma nova referência para arquitetos e urbanistas interessados em pensar criticamente a metrópole contemporânea. Sol situou o projeto em continuidade com outras publicações importantes sobre a Cidade do México, como ABCDF e ZMVM, publicadas nos anos 2000, ressaltando o papel do dicionário como uma atualização necessária do debate urbano latino-americano.
Paulina Achurra trouxe reflexões sobre a diversidade de saberes presentes no dicionário e leu trechos relacionados ao espaço público e às mudanças climáticas. Sua fala enfatizou a importância de incorporar múltiplas vozes e perspectivas na construção de narrativas urbanas, reconhecendo a cidade como um território complexo, atravessado por dimensões ambientais, sociais, culturais e afetivas.
Eugênio Queiroga abordou os pontos em comum e as diferenças entre Cidade do México e São Paulo, destacando tanto os desafios compartilhados quanto as especificidades de cada contexto urbano. Sua contribuição ampliou a discussão sobre as formas de ocupação do território, as desigualdades metropolitanas e as possibilidades de aprendizado mútuo entre as duas cidades.
Leandro Fontana, responsável pela mediação do encontro, conduziu a conversa a partir de questões relacionadas aos temas climáticos presentes no dicionário, estimulando reflexões sobre infraestrutura verde, vulnerabilidade ambiental e os impactos das mudanças climáticas nas grandes metrópoles latino-americanas.
A participação do público também foi um dos pontos centrais do encontro. As perguntas abordaram temas como:
a metodologia de construção do dicionário;
os processos colaborativos envolvidos no projeto;
como iniciar iniciativas semelhantes em territórios vulneráveis;
quais formatos poderiam existir para um possível dicionário entre Cidade do México e São Paulo.
As discussões evidenciaram o potencial do formato do dicionário como ferramenta de escuta, articulação de saberes e construção coletiva de conhecimento urbano.
Mais do que concluir respostas definitivas, o encontro abriu novas perguntas e caminhos de investigação, demonstrando a riqueza do intercâmbio entre diferentes experiências latino-americanas.






